Governo espanhol cria ferramenta para monitorar e responsabilizar discursos de ódio na internet

Foto: Wikimedia Commons | European Union

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12 Março 2026

O governo espanhol anunciou a criação de “Hodio”, uma ferramenta que permitirá medir sistematicamente a presença, a evolução e o alcance do discurso de ódio nas plataformas digitais, afirmou o primeiro‑ministro Pedro Sánchez durante seu discurso no Primeiro Fórum contra o Ódio, realizado em Madri.

A reportagem é publicada por RFI, 11-03-2026.

O instrumento será implementado pelo Observatório Espanhol de Racismo e Xenofobia e utilizará critérios acadêmicos reconhecidos, segundo o chefe do governo espanhol, que tem sido bastante crítico dos proprietários das principais plataformas digitais nos últimos meses.

A Pegada do Ódio e da Polarização (Hodio), seu nome completo, analisará a presença de discurso de ódio e polarização nas principais redes sociais utilizadas na Espanha e publicará um relatório semestral com um ranking para acompanhar sua evolução em cada plataforma, conforme indicado no site do Observatório.

“Vamos publicar os resultados para que todos saibam quem está combatendo o ódio, quem está fechando os olhos e quem está lucrando com o ódio”, explicou Sánchez, que voltou a apontar o dedo para os “oligarcas da tecnologia”.

“O objetivo é muito claro: tirar o ódio das sombras, torná‑lo visível e responsabilizar aqueles que não agem”, acrescentou, observando que os crimes de ódio aumentaram 41% na Espanha na última década.

O líder socialista também reiterou que “a tecnologia é poder” e afirmou que “o ambiente digital não pode ser um espaço sem regras”.

“A partir de agora, acredito que as plataformas de mídia social terão de ser responsabilizadas publicamente por cada conteúdo de ódio que permitirem”, declarou.

No mês passado, Sánchez anunciou uma série de medidas para fortalecer o controle sobre as mídias sociais, incluindo a intenção de proibir o acesso a essas plataformas para menores de 16 anos.

Pouco depois, o governo espanhol solicitou ao Ministério Público que investigasse o X, a Meta e o TikTok pela criação de pornografia infantil usando inteligência artificial (IA), em consonância com ações semelhantes tomadas em outros países.

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